BRIGADA INDÍGENA KAPOT: FORTALECENDO A PROTEÇÃO TERRITORIAL E O MONITORAMENTO AMBIENTAL

01/10/2025

O projeto "Brigada Indígena Kapot: Fortalecendo a proteção territorial e o monitoramento ambiental" é uma iniciativa da Associação Cultural Indígena Kapot Jarinã (ACIKJ), desenvolvida na Terra Indígena Capoto Jarinã, no estado de Mato Grosso, com apoio do Instituto de Pesquisas Ecologias – IPÊ através do Fundo LIRA. Inserido em um território de enorme riqueza ambiental e cultural, o projeto nasce da necessidade urgente de enfrentar os impactos crescentes dos incêndios florestais, que ameaçam não apenas a biodiversidade, mas também a vida, a cultura e a autonomia do povo Mebêngôkre/Kayapó da aldeia Kapot. Diante desse cenário, a iniciativa coloca no centro de sua atuação o monitoramento territorial indígena como ferramenta estratégica de proteção e cuidado com a floresta.

Mais do que observar o território, o monitoramento realizado pela Brigada Indígena Kapot representa uma forma ativa de defesa, baseada na união entre os saberes tradicionais que orientam a leitura do ambiente, do clima e dos ciclos naturais e o uso de tecnologias que ampliam a capacidade de vigilância e resposta. Essa atuação permite identificar áreas de risco, acompanhar mudanças no território e agir com rapidez diante de focos de incêndio, fortalecendo a prevenção e reduzindo os impactos do fogo. O projeto investe no fortalecimento da brigada indígena, ampliando sua capacidade operacional e garantindo melhores condições de atuação em campo. Entre as ações desenvolvidas estão a construção de uma base de monitoramento que funciona como ponto estratégico de apoio às atividades, o suporte logístico às equipes e o acompanhamento contínuo do território, em articulação com parceiros institucionais como o IBAMA, Instituto Raoni e a Fundação Banco do Brasil. Com duração de 10 meses, a iniciativa beneficia diretamente cerca de 150 indígenas, entre homens, mulheres e jovens, promovendo não apenas a proteção ambiental, mas também o fortalecimento do protagonismo comunitário. Ao assumir o monitoramento e a defesa de seu território, a comunidade reafirma seu papel como guardiã da floresta, contribuindo para a preservação da biodiversidade, a segurança alimentar e a continuidade de seus modos de vida.

O projeto representa um compromisso estrutural com o futuro, alicerçado no saber ancestral, na organização coletiva e na resistência indígena pela conservação do Cerrado.

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