BEP KOROROTI: O OLHO QUE TUDO VÊ - COMUNICAÇÃO EM DEFESA DO TERRITÓRIO

O projeto "Bep Kororoti: O Olho que Tudo Vê – Comunicação em Defesa do Território" foi executado pela Associação Cultural Indígena Kapot Jarinã (ACIKJ) na Terra Indígena Capoto Jarinã, no norte de Mato Grosso, com o propósito de fortalecer a defesa territorial, a preservação cultural e o protagonismo da juventude indígena por meio da comunicação.

A iniciativa partiu do reconhecimento de que o povo Mebêngôkre Kayapó é protagonista histórico na proteção de seu território, articulando conhecimentos ancestrais e estratégias contemporâneas de monitoramento. O projeto teve como eixo central o registro sistemático dessas práticas, compreendendo que documentar é também uma forma concreta de proteger, transmitir saberes e afirmar direitos.
Ao longo de sua execução, o projeto formou e mobilizou jovens indígenas da aldeia Kapot, que participaram de uma trilha formativa em comunicação e audiovisual, com atividades online e presenciais. Essa formação técnica e política permitiu que os jovens assumissem o papel de comunicadores do próprio território, atuando em diálogo direto com anciãos, lideranças e famílias da comunidade, responsáveis pela transmissão dos conhecimentos tradicionais, histórias e práticas culturais.

O processo resultou na produção de dois documentários, construídos a partir de uma abordagem cronológica e participativa. Os filmes registraram técnicas ancestrais e contemporâneas de proteção e monitoramento territorial, a relação do povo Kayapó com a área de transição entre Amazônia e Cerrado, além da trajetória, das ações e do papel político da Associação Cultural Indígena Kapot Jarinã dentro e fora da Terra Indígena Capoto Jarinã. Esses materiais contribuíram para o fortalecimento da memória coletiva, o resguardo do patrimônio cultural imaterial e a valorização da identidade Mebêngôkre.
Para além dos produtos audiovisuais, o projeto ampliou a visibilidade nacional e internacional da Terra Indígena Capoto Jarinã e da ACIKJ, fortalecendo redes de apoio, parcerias institucionais e oportunidades de incidência pública. A comunicação foi utilizada de forma estratégica como instrumento de conscientização social, defesa dos direitos territoriais e fortalecimento institucional, reafirmando o papel da juventude indígena como agente de transformação e continuidade cultural.
Ao final de sua execução, "Bep Kororoti: O Olho que Tudo Vê – Comunicação em Defesa do Território" consolidou-se como uma experiência de impacto, demonstrando que investir na comunicação indígena é investir na proteção do território, na valorização dos saberes ancestrais e na construção de futuros sustentáveis conduzidos pelos próprios povos indígenas.
